domingo, 30 de março de 2008

Quase outono 2


Ontem meu amigo Heinz passou lá em casa prá bater um papo. Há pouco tempo ele passou por uma experiência dolorosa de diagnóstico e tratamento de um câncer. Depois de muito papo e de muito cutucar a pantera, acabamos entrando nos mistérios da vida e da morte. Não com a pretensão de desvendar os segredos cotidianos do viver e do morrer, expressos de formas tão diversas, mas com a humildade de reconhecer a transitoriedade em que estamos imersos.

Claro que no fundo, - nem tão fundo! -, habita a pergunta: qual o sentido de tudo isto? Mas será que esta é a pergunta certa? Será que cabe qualquer pergunta? Talvez seja inútil convocar a Razão estando no território da Intuição. A intuição não pergunta: ela revela. Não é uma questão de fé, pois a fé depende da experiência relatada de outro. A intuição não fala: ela sente. Eu não preciso de calendários para reconhecer o outono.

(A imagem é de Robert A. Baron e achei em studiolo.org)

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