“There's a somebody I'm longing to see, I hope that she turns out to be someone who'll watch over me…”. ‘Essa eu não conheço’, me rendi.
Não é ‘essa’, disse o Beto, é ‘esse’. ‘O nome é Little Jimmy Scott e foi o Bira quem me deu esse DVD, que ele mesmo copiou’.
Tive dois, apenas dois, contatos breves com o Bira.
O mais ‘de perto’, foi numa entrevista realizada na BAND sobre o GAPA/RS, Grupo de Apoio à Prevenção da AIDS no Rio Grande do Sul, onde eu trabalhei como voluntário de 1989 a 1999.
O outro momento, ‘de longe’ e anterior, foi durante uma viagem a Criciúma, Santa Catarina, num verão dos anos 80. O Gilberto Pegoraro, primo do Beto e meu amigo de primeira hora, morava e trabalhava em Criciúma e nós estávamos indo passar o Carnaval com ele. Acho que foi no próprio sábado de Carnaval, pela manhã e tava um dia lindo. Estávamos eu e mais alguns amigos no carro do Beto e, prá nossa surpresa, quando chegamos à ponte sobre o rio Araranguá a Polícia Rodoviária interrompeu o trânsito: só passava caminhão pesado, para não correr riscos com a correnteza da água, que já passava por cima da ponte. Tinha chovido muito nos dias anteriores, em Santa Catarina, fato de que a gente não tinha sabido nem se dado conta, e as águas tinham ‘descido a serra’ em direção ao mar e feito o rio transbordar.
Nós e mais um monte de carros e gentes congestionamos a estrada, que passa no centro de Araranguá. Bem, a gente desceu dos carros, fumou, bateu papo, tomou chimarrão, comprou refri e pastel, esperando a ponte ser liberada. Qual o quê! Mas o comércio local adorou!
Em seguida, soubemos que algumas pessoas estavam ‘alugando’ caminhões e passando com seus carros sobre a carroceria. Num desses carros, sobre um caminhão, alguém gritou, abanando: ‘Betooo!’. Era o Bira, cliente dele como cabeleireiro.
Não, nós não alugamos caminhão: fizemos um percurso alternativo, mais longo e demorado, mas mais barato.
Ubirajara Valdez foi jornalista brilhante e apresentador de televisão, bem conhecido no tempo do Jornal do Almoço, na RBS TV. Carioca, nascido em 1953, começou a vida profissional muito cedo, na Jovem Pan, em São Paulo, em 72 e, também jovem, em 1975 veio morar e trabalhar em Porto Alegre, aonde chegou a assumir como diretor-geral da Rede Bandeirantes. Com gosto pelas artes, fez teatro e adorava música.
Morreu de infarto em 2005, em São Paulo, onde estava morando e trabalhando, e hoje habita o cosmos, tão longe, tão perto. Do lado de cá, apesar de nunca ter privado da companhia dele (coisa que lamento, pois sempre achei que era um cara com imensa e positiva energia), também estivemos longe e perto. Perto, porque volta e meia ele invade minha aura. Amém.
Deixou duas filhas, das quais só conheço (também ‘de longe’ e da ‘telinha’) a Paula Valdez, que é jornalista e apresentadora na RBS, e que herdou a simpatia cativante do pai. Foi do blog dela que eu ‘roubei’ uma das fotos (essa aí de baixo).

