domingo, 30 de março de 2008

Quase outono 3


Não sei se é fase mais íntima e pessoal ou se é por conta da chegada do outono: estes dias claros e límpidos, cheios de luz e azul, me fazem pensar em ritmos, pulsações, transitoriedades. Como se estes dias me apontassem significados óbvios. Como é que o óbvio e evidente pode conter mistérios? Pegar um caminho menos percorrido é como alçar vôo: ou nos remete às altezas ou às profundidades do abismo. Á vida é sempre incomensurável. O amor é sempre incomensurável.

Olha só o que disse Emily Dickinson neste texto que achei nos meus guardados:

“Duas borboletas saíram ao meio-dia,
Valsaram por cima de um arroio
E repousaram sobre um raio de luz.
Depois as duas partiram
Por sobre um ar reluzente,
Ainda que porto algum até hoje
Mencionasse que chegaram.
Se uma ave distante lhes falou,
Se no ar etéreo encontraram
Uma fragata, um cargueiro,
Não fui informada”.



(A imagem postada em thewildpomegranate.wordpress.com: o nome da obra é "Fly the Fruit", de Linda Herzog)

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