sábado, 29 de janeiro de 2011

Anita O'Day

Anita Belle Colton, essa maravilhosa e respeitada estrela branca do jazz, nasceu em Chicago, Illinois, EUA, em 18 de outubro de 1919. Nasceu numa família pobre e desestruturada: passou poucas e boas, como se diz maliciosamente. Adolescente, começou a cantar aos 14 anos em maratonas de dança. As maratonas, do tipo daquela retratada em ‘Mas não se mata cavalos?’ (‘They shoot horses, don’t they? ’), eram comuns nos EUA na época da Grande Depressão, pós crise financeira de 1929, e faziam enorme ‘sucesso’ entre desempregados: Anita participava delas prá comer de graça e ganhar alguma grana. Já com o nome de Anita O’Day, ‘estourou’ em 1941 como vocalista da orquestra de Gene Krupa, mas o grupo se dissolveu em 43, quando Krupa foi preso por posse de maconha, e Anita só voltou a cantar com ele em 1945.

Depois de um tempo, decolou em carreira solo de sucesso, embora com muitos altos e baixos, apesar do seu imenso talento, criatividade e ousadia para interpretar as músicas que cantava, criando novos ritmos e modalidades de leitura e interpretação musical.


Em 1958 ela fez o maior sucesso no Newport Jazz Festival, cantando divinamente sob o efeito de heroína, como contou mais tarde em suas memórias ‘High Times, Hard Times’ (1981), droga que já tinha detonado sua inspiradora musical Billie Holiday. Depois de uma overdose quase mortal, parou de usar. Maconha e álcool ela continuou usando pelo resto da vida, dizem. Pelo jeitão irreverente e avançadinho com que levava sua vida sexual, além das drogas lícitas e ilícitas que consumia largamente, recebeu o apelido de ‘Jezebel do Jazz’, como se fosse uma sedutora sem escrúpulos. A mediocridade do senso comum não perdoa ovelhas negras.

Anita morreu aos 87 anos enquanto dormia, durante uma hospitalização para tratar de uma pneumona, em Los Angeles, em novembro de 2006.



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